>> Garanta seu Planejamento de Estudos clicando aqui <<



Olá, Pessoal.

A banca Cebraspe (Cespe) divulgará nas próximas horas o resultado final nas provas objetivas e o resultado provisório na prova discursiva referentes ao concurso do  IPHAN.

Muitas pessoas nos enviaram e-mails com o intuito de saber as características essenciais para elaboração de recursos das provas discursivas da banca Cebraspe (Cespe).

Em vista disso, resolvi escrever este artigo para orientá-los neste momento crucial que poderá ser um dos responsáveis pela sua aprovação.

A primeira característica essencial é que a CESPE possui duas fases de recurso para a prova discursiva:

  • A primeira fase refere-se à impugnação ao Padrão Preliminar de Resposta. Esse Padrão possui o conteúdo que servirá de base para os examinadores corrigirem sua prova. Essa fase já passou;
  • A segunda fase é o recurso individual contra o resultado preliminar da prova discursiva.

A diferença entre essas duas fases é a seguinte: na primeira, qualquer alteração no padrão preliminar de resposta divulgado pela banca examinadora irá influenciar a nota de todos os candidatos; na segunda, que tem o caráter individual, poderá alterar apenas a nota do candidato que provocar a banca para uma possível reavaliação de seu texto.

É essencial que o candidato entenda o Espelho da Correção utilizado pela banca, o qual é dividido em aspectos Macroestruturais e Microestruturais.

Macroestruturais: quesito 1.0 (Apresentação) e quesito 2.0 (Desenvolvimento do Tema). Este último vem dividido em tópicos 2.1, 2.2, 2.3, de acordo com o enunciado da prova discursiva.

Microestruturais: obediências às regras gramaticais
(ortografia, morfossintaxe e propriedade vocabular).

Vejamos um exemplo do espelho de correção da banca:

Para os aspectos macroestruturais, tem-se a seguinte regra: se o candidato abordar corretamente o comando da questão, ganhará a pontuação total naquele tópico. Caso contrário, terá pontos descontados proporcionalmente ao nível da resposta que fora apresentada.

Quanto ao quesito Apresentação, a banca analisará a letra, a obediência às margens e a estrutura textual, ou seja, se a tipologia textual empregada é a dissertativa. Esteja atento aqui! A maioria dos candidatos ganha nota máxima neste quesito. Logo, se você não tiver ganhado, saiba que tem uma excelente oportunidade de melhorar sua nota com o recurso.

Para avaliar o quesito Desenvolvimento do Tema, a Banca utilizará o “Padrão de Resposta”. O examinador confrontará seu texto com aquele constante do modelo ideal. É isso mesmo! Quanto mais quesitos do Padrão de Respostas da Banca você abordar, maior será sua nota. Obviamente, não basta “jogar as respostas” no texto. É preciso apresentá-las numa sequência lógica e ordenada, respeitando-se a progressividade temática e a estrutura diafórica do seu texto.

Após a definição da pontuação de macroestrutura, descontar-se-ão os erros atinentes aos aspectos linguísticos (microestruturais). A banca possui uma fórmula para calcular o valor dos erros. A princípio, parece-nos complexa, mas é extremamente simples. Vejamos:

Suponhamos que o candidato tenha cometido 07 erros de gramática e escrito 28 linhas. Logo, sua penalidade total será de 0,5 ponto (07/28 x 2).

Muitos candidatos não se atentam a essa fase de recursos, talvez por mero desconhecimento de sua importância. Ao longo da nossa trajetória profissional, pudemos compartilhar de momentos surpreendentes em que colocamos candidatos dentro das vagas graças aos “abençoados” recursos.

Por que há tanta modificação nas notas após a fase de recurso?

Há uma lógica nisso! A Banca tem muitas correções para fazer em um prazo curtíssimo de tempo. Por conseguinte, contrata diversos examinadores para fazer as correções.

Para a análise do conteúdo, a prova passa pelo crivo de dois examinadores. A nota final será a média entre as duas notas. Se a diferença entre elas for maior que 25%, então a prova passará pela avaliação de mais um examinador e a nota será a média das duas mais altas. Veja um exemplo:

Exemplo 1 – Divergência menor que 25%:

Examinador 1: Nota 35 pontos

Examinador 2: Nota 30 pontos

A nota será a média das 2 maiores. Logo, a nota dos aspectos Macroestruturais será de 32,5 pontos.

Exemplo 2 – Divergência MAIOR que 25%:

Examinador 1: Nota 35 pontos

Examinador 2: Nota 15 pontos (descartada)

Examinador 3: Nota 28 pontos

A nota será a média das 2 maiores. Logo, a nota dos aspectos Macroestruturais será de 31,5 pontos [(35 +28)/2].

Isso ocorre, porquanto há uma interpretação altamente subjetiva, ou seja, pode haver examinadores mais rígidos e outros mais flexíveis. Essa falta de  “harmonia” entre os próprios examinadores pode acarretar em variações consideráveis nas notas dos candidatos.

Contudo, ao entrar com recurso, há a possibilidade de o texto ser revisto novamente por outro examinador. Se a nota do examinador que avaliar o recurso for maior que uma das notas atribuídas inicialmente, ela entrará no cálculo da média e, consequentemente, aumentará a pontuação final.

Uma pergunta que sempre me fazem é:

-Professor, há a possibilidade de a nota ser diminuída?

Aqui eu preciso ser franco com vocês. Se isso estiver expresso no seu edital, certamente haverá essa possibilidade. Entretanto, farei algumas ponderações:

  • Em 15 anos que acompanho provas de concursos públicos, nunca vi isso acontecer;
  • O examinador estará “abarrotado” de recursos para analisar e sua missão será concluir as análises em tempo hábil. Ora, como será uma missão bastante complexa para o examinador cumprir o prazo de analisar todos os recursos, será que ele ainda terá tempo e “energia” para analisar aspectos que nem sequer foram questionados pelo candidato? Eu responderia NÃO com 100% de certeza!
  • Portanto, podemos concluir que, caso seu recurso não seja aceito, sua nota será apenas mantida.

Nem sempre a banca erra ao corrigir sua prova, mas isso pode acontecer! Nem sempre a banca te devolve a pontuação quando está errada, mas isso pode acontecer! Nem sempre a banca te dá uma nota abaixo daquela que realmente lhe é devida, mas isso pode acontecer! Portanto, meus amigos, entrar com recursos na sua prova discursiva é algo necessário para quem ainda se vê com chances de conseguir a classificação dentro das vagas. Como a banca não diminuirá a nota, é aconselhável provocá-la para que você tenha sua prova reavaliada.

Em concursos da Banca CESPE, sempre há candidatos ganhando pontos. Para exemplificar, vou citar o meu caso no concurso do Banco Central em 2013. Antes dos recursos das provas discursivas, eu tinha classificado na 33ª posição. Como havia 100 vagas na minha área (Contabilidade e Finanças), eu estava numa situação relativamente confortável. Acontece que, ao ver a correção da banca, percebi um erro na primeira questão que transpareceu a falta de domínio do examinador sobre aquele assunto que fora abordado. O resultado não podia ser diferente: a banca me devolveu os pontos da questão e eu ganhei 12 posições, sendo classificado em 21º lugar. Para quem já estava confortavelmente dentro das vagas, não fez tanta diferença (exceto pela vontade de se fazer justiça e ganhar os pontos que me eram realmente devidos). Contudo, para alguém que estava na “faixa de gaza” (aquela faixa em que o candidato está beirando o número total de vagas), poderia significar a aprovação ou a reprovação naquele concurso.

A minha humilde opinião é que sempre vale a pena fazer recurso, mas devemos fazê-lo com técnica e respeito para com a banca examinadora. Há algumas regras a serem observadas:

  • Normalmente, os editais da banca CESPE preveem o prazo para interposição do recurso das 9h de um dia às 18h do dia subsequente. São menos de 2 dias para fazer o recurso e inseri-lo na plataforma do site;
  • O recurso não pode contestar o Padrão de Resposta nem ofender a Banca. Aqui, a maioria dos candidatos “escorregam”. Os editais costumam trazer a seguinte informação:

“No recurso contra o resultado provisório na prova discursiva, é vedado ao candidato novamente impugnar em tese o padrão de resposta, estando limitado à correção de sua resposta de acordo com o padrão definitivo.”

Isso ocorre, pois o momento contestar o Padrão de Resposta já transcorreu. A única possibilidade remanescente é própria contestação da nota atribuída pela banca examinadora;

  • O recurso deve ser claro e objetivo. Esse é o grande desafio! Você deve ir direto ao ponto e explicar para o examinador o porquê de a nota carecer de majoração, sem enrolação! Utilize argumentos fortes, mas com linguagem simples e objetiva;
  • Você pode escrever o recurso em primeira ou terceira pessoa do singular. Quanto a esse aspecto, não há problema!

Boa sorte!

Prof. Carlos Roberto

Fonte: Estratégia Concursos

Chat online